O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentam planos distintos para o equilíbrio das contas públicas, segundo a apuração de economistas. Ambos os programas são considerados insuficientes por especialistas para alterar a trajetória da dívida pública, que atingiu 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho.
Lula defende a manutenção do arcabouço fiscal, argumentando que a regra controlou o crescimento das despesas sem prejudicar gastos sociais. O plano prevê a combinação de crescimento econômico, controle da despesa primária e aumento da arrecadação, com foco em taxar os mais ricos e reduzir benefícios fiscais ineficientes. O orçamento prioriza a ampliação de programas como Bolsa Família, BPC e Pé-de-Meia.
O economista-chefe da Forum Investimentos, Bruno Perri, afirmou que o arcabouço implementado é insuficiente e não traz consequências quando desrespeitado. Já o ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman, classificou as propostas do presidente como um “Orçamento frouxo”, com pouca preocupação no controle de despesas.
Flávio Bolsonaro propõe a criação de uma nova regra fiscal para controlar gastos opcionais dos Três Poderes. O senador planeja a redução de pelo menos 10 ministérios, corte de cargos comissionados e a retomada do Programa Nacional de Desestatização. Na área tributária, o candidato do PL promete reduzir o IVA e impostos sobre energia e combustíveis.
A proposta do senador inclui a promessa de dobrar investimentos em segurança pública e criar 500 mil novas vagas no sistema prisional em quatro anos. Bruno Perri avalia que a promessa de corte de tributos no momento atual é uma “fantasia”, enquanto Schwartsman definiu o plano de cortes como “um grande vazio” por não mexer em despesas obrigatórias.
Augusto Parente, sócio da AW Capital, disse que uma nova regra poderia entregar o ajuste esperado pelo mercado, caso as promessas sejam cumpridas. Ele ressaltou, porém, que faltam detalhes sobre a execução do corte de gastos. Nenhum dos dois candidatos informou o custo total de suas propostas ou apresentou projeções para metas fiscais e a trajetória da dívida pública.


