O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comprometeu-se a realizar cortes de despesas e a perseguir a meta de superávit primário de R$ 18,6 bilhões para 2027 durante jantar com banqueiros e empresários, na noite de segunda-feira (31), no Palácio do Alvorada, em Brasília.
O valor estimado para 2027 equivale a 0,13% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme a proposta de Orçamento apresentada nesta segunda-feira. Para atingir o índice, a gestão federal precisará de uma melhora de R$ 70,6 bilhões nas contas públicas em relação ao déficit de R$ 52 bilhões previsto para este ano.
Durante o encontro, Lula negou rumores de que o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, estivesse sendo visto como traidor pelo governo. O presidente declarou contar com Galípolo e afirmou que buscará garantir as condições necessárias para que haja uma queda sustentada dos juros sob a condução da autarquia.
Os convidados, entre eles André Esteves, do BTG Pactual, Roberto Setúbal, do Itaú Unibanco, e Luiz Carlos Trabuco Cappi, do Bradesco, criticaram a taxa de juros e a inadimplência. O grupo pediu estabilidade institucional para viabilizar investimentos em reindustrialização, transição energética, exploração de terras raras e petróleo na Margem Equatorial.
Houve queixas sobre a burocracia e o loteamento político de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Lula explicou que a composição de diretorias depende do Senado, o que dificulta a gestão integrada entre ministérios e agências.
O presidente criticou as emendas impositivas do Congresso, citando o caso de um senador que teria recebido R$ 70 milhões. Sobre a segurança pública, Lula prometeu a criação do Ministério da Segurança Pública após empresários relatarem a falta de tranquilidade ao circular pelas ruas.


