O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, afirmou neste sábado (5) que se arrepende de ter endossado a indicação de Alexandre de Moraes para a Corte. A declaração ocorreu após a divulgação de diálogos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do extinto Banco Master.
Marco Aurélio disse que as denúncias recentes são extremamente graves e avaliou que o ex-colega cometeu excessos prejudiciais. O ministro aposentado lembrou que, após o acidente aéreo que matou o ministro Teori Zavascki, recomendou o nome de Moraes ao então presidente Michel Temer por considerar o currículo adequado, citando a trajetória como acadêmico, membro do Ministério Público e ministro da Justiça.
As conversas entre Vorcaro e Moraes fazem parte de um parecer da Polícia Federal (PF) que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça. Marco Aurélio defendeu a atitude de Mendonça, afirmando que ele agiu de forma correta, e criticou o cenário atual do STF por considerar que há uma inversão de valores.
O relatório da PF possui 218 páginas e foi elaborado a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro. O aparelho foi apreendido em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro foi preso na primeira fase da operação, no dia 18 de novembro de 2025.
O documento, entregue à Justiça em 27 de agosto de 2026, buscou identificar uma rede de influência atribuída ao ex-banqueiro. Parte do conteúdo foi enviada por visualização única no WhatsApp, o que impediu a reconstrução integral de alguns diálogos com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
A Polícia Federal informou que a análise não possui caráter exaustivo, pois foi realizada no prazo de 72 horas determinado por requisição judicial. O conteúdo tornou-se público na terça-feira (1º), após a decisão de Mendonça. Moraes afirma que o ministro cometeu abuso de autoridade e crime de responsabilidade ao retirar o sigilo.


