O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, afirmou neste sábado (5) que se arrepende de ter apoiado a indicação de Alexandre de Moraes para a Corte. A declaração ocorreu após a divulgação de mensagens trocadas entre o magistrado e Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master.
Marco Aurélio Mello disse que os fatos revelados são seriíssimos e que Moraes vem errando a mão. O ex-ministro lembrou que defendeu a nomeação do magistrado em janeiro de 2017, após a morte do ministro Teori Zavascki. Na ocasião, destacou a trajetória de Moraes como promotor, professor e secretário de Segurança Pública de São Paulo.
Moraes foi indicado pelo então presidente Michel Temer em 6 de fevereiro de 2017. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o nome por 19 votos a 7, e o plenário confirmou a indicação por 55 votos a 13 no dia 22 de fevereiro. A posse ocorreu um mês depois.
O ministro aposentado também defendeu a conduta de André Mendonça nas investigações do Banco Master. Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que detalha contatos de Vorcaro com Moraes e outras autoridades entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025. O documento menciona um jantar entre o magistrado e o banqueiro, acompanhados de suas esposas.
A apuração da PF recuperou textos do celular de Vorcaro, incluindo consultas sobre a possibilidade de deixar o Brasil antes de sua prisão em novembro de 2025. O banqueiro utilizava capturas de tela enviadas via WhatsApp como mensagens de visualização única.
Marco Aurélio Mello criticou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu a nulidade do relatório da PF. O ex-ministro afirmou ter ficado atônito com o pedido, argumentando que Gonet deveria ter encaminhado o caso a um substituto por ser mencionado no material. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal também solicitou o impedimento de Gonet.
Em resposta à divulgação do relatório, Moraes encaminhou ao presidente do STF, Luiz Edson Fachin, documentos com acusações contra André Mendonça. O ministro apontou possíveis crimes de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade. Fachin transferiu o material para a Presidência do Supremo, onde a PGR e Mendonça terão cinco dias úteis para se manifestar.


