O ex-ministro Marco Aurélio Mello afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Ministério Público Federal (MPF) precisam atuar para esclarecer mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A declaração foi dada em entrevista publicada nesta quarta-feira (2), após a divulgação de relatório da Polícia Federal (PF).
Mello, que integrou a Corte por 31 anos e se aposentou em 2021, declarou que o STF não é “órgão consultivo, muito menos órgão consultivo da bandidagem”. O ex-ministro referiu-se a trechos em que o banqueiro questiona se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso e trata de medidas para adiar ações da PF. As respostas de Moraes não foram recuperadas integralmente.
O material foi tornado público na terça-feira (1), após o ministro André Mendonça retirar o sigilo da Petição 16.662. O relatório de 218 páginas da PF detalha mensagens, chamadas e contratos encontrados no celular de Vorcaro.
A apuração da PF identificou dois contratos de serviços advocatícios com o escritório Barci de Moraes, gerido por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Os instrumentos, firmados com a Viking Participações e o Banco Master, previam honorários líquidos de até R$ 158 milhões.
Questionado sobre a relação entre magistrados e jurisdicionados, Mello afirmou que é necessária uma “indispensável cerimônia” para evitar a promiscuidade. Ele disse que o cargo público deve servir ao interesse geral e não ser usado em benefício próprio ou da família.
O ex-ministro defendeu que o presidente do STF convoque os ministros para uma sessão fechada de conselho para discutir o caso. Para Mello, Moraes já está “indiretamente incluído” como investigado pelos relatórios da PF, embora a definição sobre crimes comuns ou de responsabilidade ainda seja necessária.
Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro não responderam aos questionamentos sobre as mensagens e o relatório da PF até a publicação da matéria.


