O deputado federal Mario Frias (PL-SP) afirmou, nesta quinta-feira (10), que a operação Make Up, da Polícia Federal, é uma “cortina de fumaça” e negou irregularidades no uso de emendas parlamentares. A ação investiga suspeitas de desvios de recursos públicos destinados a entidades ligadas ao filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A Polícia Federal (PF) atuou em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU) para apurar a existência de uma organização criminosa voltada ao uso irregular de verbas públicas sem a devida prestação de contas.
Frias, que atua como roteirista e produtor executivo do filme, destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) por meio de duas emendas de R$ 1 milhão cada em 2024. Segundo a PF, as transferências ligadas ao projeto do filme somam cerca de R$ 61 milhões, havendo a suspeita de que R$ 750 mil repassados à produtora Karina Ferreira da Gama tenham origem nessas verbas.
O parlamentar declarou que os recursos foram destinados a projetos esportivos e de letramento digital para crianças e jovens. Frias afirmou que não teve acesso ao processo e que o envio das emendas ocorre do Tesouro para o órgão executor, sem passar por suas mãos. Ele informou que irá colaborar com a PF e entregar a documentação solicitada.
A investigação sobre o deputado começou em março de 2026, após determinação de Dino para que ele prestasse esclarecimentos sobre as emendas ao ICB. Em maio, mensagens de outra operação mostraram Frias agradecendo ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, por um aporte no filme, fato que o deputado havia negado publicamente.
Em agosto, a PF solicitou documentos à produtora por e-mail, sem mandado judicial. Em resposta, Frias apresentou questão de ordem ao STF solicitando a retirada do caso da relatoria do ministro Flávio Dino.


