Medicamentos da classe GLP-1, como a semaglutida e a liraglutida, utilizados para tratar diabetes e obesidade, estão associados à redução do desejo de consumir álcool, cigarro e outras substâncias. A observação de médicos e pesquisadores foi corroborada por um estudo da Universidade do Colorado Anschutz, publicado na semana passada.
O levantamento indicou que versões em comprimidos desses fármacos levaram a uma diminuição nos dias de consumo excessivo de álcool em pessoas diagnosticadas com transtorno por uso de álcool de nível leve a moderado. Pacientes relataram a perda da vontade de beber ou a sensação de enjoo e estômago cheio ao consumir a substância.
Alguns usuários informaram que a embriaguez ocorre de forma mais rápida sob o efeito da medicação. Outros pacientes, porém, declararam não ter notado qualquer alteração em sua relação com as bebidas alcoólicas.
O professor de medicina do King’s College London, Russell Hearn, explicou que não há recomendações formais no Formulário Nacional Britânico sobre a interrupção do consumo de álcool para quem usa esses remédios. Hearn orienta que a redução da bebida auxilia na perda de peso devido ao alto teor calórico do álcool.
Nos Estados Unidos, algumas clínicas já prescrevem o medicamento para uso não convencional em casos de alcoolismo. O médico Joseph Schacht afirmou que estudos maiores e mais longos são necessários para que os órgãos reguladores aprovem a indicação oficial para tratar o transtorno.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não aprova o uso desses medicamentos para o tratamento do alcoolismo. Pesquisadores da Universidade do Sul do País de Gales, como Darren Quelch, questionam a segurança do uso em pessoas sem diabetes ou obesidade.
A investigação científica agora busca entender se os GLP-1 podem ser eficazes contra outros vícios, como a dependência de opioides e o tabagismo. O uso dos fármacos pode causar efeitos colaterais, incluindo a pancreatite, condição rara mas grave.


