O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastou preventivamente nesta terça-feira (8) o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. A decisão liminar foi mantida pela maioria da 2ª Turma do Supremo em sessão virtual, com votos dos ministros Nunes Marques e Luiz Fux.
Mendonça alegou que tem sido alvo de monitoramento sistemático e ilegal por parte da PF. Na decisão, o magistrado afirmou que, entre 3 e 31 de outubro, o diretor-geral teria encaminhado ao menos seis relatórios de inteligência produzidos de forma sigilosa ao ministro Alexandre de Moraes.
A medida também determinou o afastamento do delegado federal Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da corporação. O ministro proibiu a produção ou o compartilhamento de relatórios de inteligência focados na atuação funcional de magistrados, da Advocacia-Geral da União (AGU) ou da polícia judiciária.
O ministro Gilmar Mendes pediu vistas do processo, enquanto Dias Toffoli não deve votar na matéria. A Corregedoria da PF deverá abrir investigações penais e administrativo-disciplinares para apurar a produção dos relatórios citados.
Em reuniões anteriores com agentes da PF, Mendonça teria manifestado o desejo de afastar Rodrigues por considerar que o diretor não era confiável devido à proximidade com o governo Lula. Um relatório da PF utilizado por Alexandre de Moraes indica que o relator não apresentou, até o momento, fato concreto que denote atuação irregular.
Andrei Rodrigues teve sua gestão questionada após o vazamento de mensagens entre o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. Nas conversas, o banqueiro pedia a intercessão de Moraes junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor da PF para garantir a sobrevivência da instituição financeira.


