O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A medida ocorreu após representação do partido Novo sobre investigações do Banco Master e a constatação de que o próprio magistrado foi alvo de monitoramento ilegal pela inteligência da corporação.
A representação do diretório nacional do Novo, protocolada no dia 2 de setembro, pedia a abertura de investigação criminal e o afastamento cautelar de Rodrigues. O documento foi assinado pelas advogadas Carol Sponza e Carolina Barreto Siebra. No dia seguinte, as advogadas solicitaram a prisão preventiva do delegado, pedido que não foi concedido por Mendonça.
O ministro fundamentou a decisão no monitoramento sistemático e ilegal realizado pela área de inteligência da PF contra ele durante mais de um mês. Entre 3 e 31 de agosto, foram produzidos ao menos seis relatórios sobre a atuação de Mendonça e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias, material classificado pelo magistrado como ilícito.
Além do diretor-geral, foi afastado Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da PF. Mendonça ordenou a suspensão da produção e do compartilhamento de relatórios de inteligência que analisem atos de integrantes do Judiciário, da advocacia pública e da polícia judiciária, determinando que a Corregedoria da PF investigue a autoria desses documentos.
A petição do Novo baseou-se em mensagens do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O texto cita um relatório da PF que associou referências a “Andrei” e “Paulo” a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em conversas sobre a necessidade de proteção. O partido pediu a preservação de registros e a apuração de contatos entre Vorcaro e o diretor-geral.
A Segunda Turma do STF formou maioria para manter a decisão, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vista, interrompendo a análise. A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que alegará violação de competência do presidente da República em recurso contra o afastamento.
Carol Sponza afirmou que a medida é um passo importante para impedir que fatos graves sejam ignorados. A advogada defendeu que denúncias sobre a PF sejam apuradas com independência, transparência e rigor para que a verdade não seja protegida.


