O ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), afastou nesta terça-feira (8) o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A medida atende a um pedido do partido Novo.
Mendonça justificou a decisão citando a gravidade e a ilicitude da divulgação de relatórios de inteligência da PF pelo ministro Alexandre de Moraes. Na semana passada, Moraes tornou público um documento que sugere um possível direcionamento das investigações do caso Master contra adversários políticos de Mendonça.
O ministro afirmou que o documento é apócrifo, sem timbre ou símbolos gráficos que garantam legitimidade ou confiabilidade. Segundo a decisão, o episódio exige providências imediatas para evitar que prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da atividade policial sejam vilipendiadas.
A decisão menciona que o próprio relatório divulgado classifica suas inferências como sem valor probatório. Mendonça citou um ofício assinado por Andrei Rodrigues indicando que ao menos seis relatórios semelhantes foram produzidos com o ministro como alvo entre 3 e 31 de agosto de 2026.
O documento foi tornado público por Moraes no âmbito do inquérito das Fake News. O ministro enviou o texto ao presidente do STF, Edson Fachin, apontando possíveis atos de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade por parte de Mendonça.
A ação ocorre após Mendonça divulgar mensagens da Operação Compliance Zero atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O conteúdo sugere proximidade entre o ex-banqueiro e Moraes, mencionando a edição de um contrato de R$ 131 milhões com o escritório de advocacia da esposa do ministro. Moraes negou qualquer contato com Vorcaro.
A Polícia Federal não se manifestou até o momento.


