O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou nesta quinta-feira (3) duas notas fiscais que somam R$ 26,4 mil para negar a suspeita de ter recebido ternos de lobistas ligados a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Os comprovantes, emitidos pela Alegrete Alfaiataria, estão registrados no nome da esposa do magistrado. Uma das notas, datada de 8 de fevereiro de 2025, registra a compra de ternos e camisas sob medida no valor de R$ 16,5 mil. Um segundo documento, emitido 20 dias depois, soma R$ 9,9 mil em itens que incluem um blazer.
A controvérsia surgiu após a divulgação de conversas do celular de Vorcaro. Em um dos registros, o advogado Ciro Rocha Soares enviou ao ex-banqueiro a foto ao lado de Mendonça na loja do alfaiate Vasco Vasconcellos, em São Paulo. No mesmo dia, Soares enviou um áudio afirmando ter levado o ministro ao local para confeccionar um terno.
As mensagens indicam que Vorcaro tentava se aproximar de Mendonça por meio de Soares e do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Em outro áudio, o advogado disse ter conversado com o ministro sobre problemas do Banco Master junto ao Banco Central, afirmando que Mendonça queria receber o empresário.
Mendonça recebeu Vorcaro em março de 2025 em uma reunião fora da agenda oficial do STF, ocorrida no escritório do Instituto Iter, fundado pelo ministro. Na ocasião, o magistrado confirmou o encontro, mas disse que a iniciativa foi do empresário e que se limitou a ouvi-lo.
O ministro informou ainda que recebeu o advogado do empresário no mesmo mês. Segundo Mendonça, os memoriais escritos referentes a essa conversa constam nos registros do gabinete.


