O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira (10) o sigilo de parte das investigações relacionadas ao Banco Master. A decisão, que atende a um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, torna públicos documentos de inquéritos, reclamações e petições vinculados ao caso.
Apesar da abertura parcial, apurações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória de Jair Bolsonaro, permanecem sob sigilo. A investigação examina a relação entre a produção e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo apurações da imprensa, Vorcaro teria destinado R$ 61 milhões ao projeto via fundo nos Estados Unidos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro teria negociado um repasse de US$ 24 milhões.
Outra frente mantida em reserva envolve o senador Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. A Polícia Federal (PF) identificou 74 ligações telefônicas entre os dois. A PF investiga se Wagner recebeu vantagens indevidas para atuar em defesa do banco no Congresso, citando repasses a empresas de familiares e um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões.
O material sigiloso também inclui a atuação de Karina da Gama na produção de “Dark Horse”. Uma organização sob seu comando manteve contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de wi-fi, acordo que é alvo de investigações do Ministério Público e da Polícia Civil.
A medida ocorre durante uma crise institucional no STF provocada pelas investigações do Banco Master. O conflito envolve os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Já existiam divergências entre o gabinete de Mendonça, relator dos casos, e a direção da PF sobre a condução dos inquéritos.
Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou Andrei Rodrigues a procurar Mendonça para discutir a relação entre a Polícia Federal e o gabinete responsável pelos processos. A liberação parcial de documentos amplia o acesso aos arquivos que originaram a disputa interna na Corte.

