O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), liberou para análise do plenário o relatório da Polícia Federal (PF) que contém mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro enviadas ao ministro Alexandre de Moraes. A decisão final sobre a pauta cabe ao presidente da Corte, Edson Fachin.
O documento da PF foi elaborado por determinação de Mendonça para identificar os destinatários de mensagens enviadas por Vorcaro. A apuração concluiu que as comunicações eram destinadas a Moraes. O relatório indica que, durante 13 dias, o banqueiro pediu a intervenção do magistrado para impedir a liquidação de sua instituição financeira e barrar o avanço de investigações.
Nas conversas, Vorcaro questionava como deveria proceder para reverter a situação e buscava sensibilizar autoridades. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também foi citado nas mensagens, considerou o relatório nulo por ter sido produzido sem pedido prévio da PF ou do Ministério Público.
Mendonça defendeu que o caso seja analisado pelo plenário, independentemente do parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em reação à divulgação do documento, Moraes afirmou, com base em relatórios de inteligência, que Mendonça pode ter cometido crimes de responsabilidade e improbidade administrativa ao supostamente interferir em delações e direcionar investigações sobre o INSS e o banco Master.
Edson Fachin abriu um novo procedimento sob sua própria relatoria para englobar as acusações mútuas entre os ministros e as mensagens de Vorcaro. O presidente da Corte determinou que Mendonça, Moraes, Gonet e o diretor-geral da República prestem esclarecimentos.
Em discurso na sexta-feira, Fachin reconheceu a gravidade dos fatos e afirmou que a resposta institucional será firme e rigorosa, mas seguirá o tempo e a forma exigidos pela ordem jurídica. O magistrado declarou que não haverá precipitação nem omissão, preservando as instituições em momentos de tensão.


