O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) elaborasse um relatório com a análise de diálogos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A ordem, entregue em reunião surpresa no dia 24 de agosto, gerou reações contrárias na corporação e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O material, que teve o sigilo retirado nesta terça-feira (1º), revelou trocas de mensagens em que Vorcaro questiona se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso. Mendonça exigiu que a PF identificasse, em 72 horas, todas as pessoas mencionadas em mensagens do celular do ex-banqueiro, incluindo detentores de foro no STF e o próprio procurador-geral da República.
Investigadores da PF avaliaram a decisão como uma tentativa de conduzir a investigação, função que cabe à corporação. Há temor interno de que a análise das conversas de Moraes seja interpretada como o início de uma investigação policial contra o ministro sem autorização do plenário da Corte, o que poderia levar à anulação de apurações sobre o Banco Master.
Paulo Gonet pediu a nulidade da decisão na noite de terça-feira. O PGR afirmou que o ministro não pode utilizar a polícia judiciária como sua “longa manus” para atividades não designadas, alegando que a ordem ocorreu sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da autoridade policial. O próprio Gonet é citado na análise feita a pedido de Mendonça, em mensagens atribuídas a ele e encaminhadas por um advogado.
A cúpula da PF vê as ações de Mendonça como intromissões na autonomia dos trabalhos. O ministro, que relata as operações Compliance Zero e Sem Desconto, tem se queixado da demora em apurações sobre fraudes no INSS e determinou que qualquer mudança na equipe de investigadores seja comunicada a ele previamente.
Integrantes da polícia informaram que a Corte não levou adiante suspeitas anteriores no caso Master envolvendo o ministro Dias Toffoli. Em fevereiro, a PF entregou relatório sobre mensagens entre Vorcaro e Fabiano Zettel discutindo pagamentos para a empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio. O documento resultou na saída de Toffoli da relatoria, mas o caso foi arquivado pelo presidente do STF, Edson Fachin.


