Apenas 19,4% dos 405 mil motociclistas que trabalham via aplicativos de transporte e entrega no Brasil possuem cobertura previdenciária, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento indica que 79 mil profissionais da categoria contribuem para institutos de previdência, o que garante acesso a aposentadoria, pensão por morte e benefícios por incapacidade. O índice é inferior aos 62,4% de cobertura registrados entre todas as pessoas ocupadas no setor privado do país. Entre os motociclistas em geral, sejam eles plataformizados ou não, a cobertura sobe para 31%.
O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, afirmou que a pequena parcela de condutores protegidos contrasta com o perfil da atividade, já que esses trabalhadores podem estar expostos a acidentes e riscos ocupacionais. Os dados foram coletados em 2025 e fazem parte de um módulo experimental sobre trabalho em plataformas digitais.
O número de motociclistas plataformizados cresceu 15,4% entre 2024 e 2025. No período de três anos, a categoria praticamente dobrou, saltando de 211 mil pessoas em 2022 para os atuais 405 mil. O rendimento médio mensal líquido, descontados gastos como combustível, é de R$ 2.221, com jornada semanal de 44,9 horas.
O rendimento por hora dos motociclistas de apps é de R$ 11,4, valor 12,9% superior ao de quem não utiliza plataformas (R$ 10,1). A pesquisa também analisou motoristas de aplicativos, grupo que soma 905 mil pessoas em 2025. Nesse segmento, a cobertura previdenciária é de 25,5%, enquanto a média geral de motoristas no país é de 43,8%.
Os motoristas de aplicativos registram remuneração mensal de R$ 2.873, montante 2,4% maior que o de motoristas não plataformizados. Contudo, o rendimento por hora desse grupo é de R$ 14,4, valor inferior aos R$ 16 recebidos por quem não trabalha via plataforma, apesar de a jornada semanal ser maior, totalizando 45,9 horas.


