Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mantinha reuniões reservadas com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O material, tornado público nesta terça-feira (1) por decisão do ministro André Mendonça, detalha a proximidade entre os dois e um contrato de R$ 129 milhões com a esposa do magistrado.
O relatório de 218 páginas da PF registra que Vorcaro informou a familiares e funcionários, em diversas datas entre 2024 e 2025, que estava com o ministro. Em 19 de abril de 2025, o banqueiro afirmou estar indo encontrar Moraes “perto de casa”, em provável referência a Campos do Jordão, onde o magistrado passaria o feriado.
A investigação indica que a operação policial que levou à prisão de Vorcaro vazou. Em 17 de novembro de 2025, véspera de sua detenção no Aeroporto de Guarulhos, o banqueiro escreveu a Moraes pedindo a proteção do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para adiar a ação e evitar que o banco quebrasse.
No dia da prisão, Vorcaro questionou o ministro via WhatsApp se ele teria conseguido “bloquear” a operação. Moraes respondeu com três mensagens de visualização única, que se apagam após a leitura. O magistrado negou a existência de telefonemas entre eles, embora a PF afirme possuir registros desses contatos no material periciado.
O documento também expõe um contrato de R$ 129 milhões assinado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões. Metadados extraídos do celular de Vorcaro mostram que o próprio ministro Alexandre de Moraes editou o contrato no dia 15 de janeiro de 2024.
O escritório de Viviane Barci afirmou que o setor de compliance solicitou a avaliação do ministro sobre possíveis impedimentos legais na contratação. Foram pagos R$ 80 milhões do valor total antes da prisão do banqueiro. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, tem cinco dias para se manifestar sobre o relatório da PF.

