Cerca de metade dos estudantes de 15 anos no Brasil, 49%, possui as habilidades necessárias para a interpretação de texto, segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa 2025). O levantamento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), publicado nesta terça-feira (8), indica que o índice brasileiro é inferior à média de 69% dos 38 países-membros.
A pesquisa define como proficientes os alunos capazes de identificar a ideia principal em textos de extensão moderada e localizar informações complexas. No Brasil, apenas 1% dos jovens apresentam alta performance na leitura, conseguindo distinguir fatos de opiniões e lidar com conceitos abstratos, enquanto a média da OCDE é de 6%.
A maior deficiência brasileira ocorre em matemática, onde apenas 28% dos estudantes demonstraram proficiência, contra 65% nos países da OCDE. Esse grupo é capaz de representar situações simples matematicamente, como a conversão de preços para moedas diferentes, sem a necessidade de instruções diretas.
O estudo aponta que a desigualdade socioeconômica impacta os resultados no Brasil acima da média da OCDE. Nas ciências naturais, a nota média dos 25% mais ricos supera em 96 pontos a dos 25% mais pobres. Como cada 20 pontos equivalem a um ano de aprendizado, a disparidade se aprofundou entre 2015 e 2025.
A precariedade estrutural também foi mapeada. A estimativa é que 28% dos alunos frequentem instalações precárias, 26% sofram com a falta de materiais e 21% estudem em escolas com carência de professores. O relatório sugere que problemas estruturais e distrações digitais contribuem para o declínio global da performance escolar.
Sobre a tecnologia, 48% dos adolescentes brasileiros usam chatbots de inteligência artificial para estudos ao menos uma vez por semana, índice superior aos 46% da OCDE. Em contrapartida, a proibição de celulares nas escolas cresceu: 81% dos alunos estudam em instituições que vetam os aparelhos, contra 37% em 2022.


