A ex-primeira-dama e candidata ao Senado pelo PL, Michelle Bolsonaro, publicou mensagem nas redes sociais nesta semana associando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, ao segmento religioso do bolsonarismo. O gesto ocorre enquanto o magistrado é personagem central de crise na Corte após retirar sigilo de relatório da Polícia Federal.
Na publicação, Michelle Bolsonaro descreveu Mendonça como “escolhido e ungido do Senhor” e um “verdadeiro homem de Deus”. A candidata detalhou sua participação na indicação do ministro ao tribunal, afirmando que ela e intercessores oraram pelo nome do magistrado e que recebeu uma visão sobre sua chegada ao STF em uma “salinha de consagração”.
O ministro André Mendonça foi indicado por Jair Bolsonaro em 2021, após atuar como advogado-geral da União e ministro da Justiça. Pastor presbiteriano, ele mantém identificação com setores evangélicos conservadores e agradeceu, na sexta-feira (4), as orações de fiéis da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, onde é pastor auxiliar.
A movimentação política acontece após Mendonça tornar públicas mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O episódio gerou pressão política sobre Moraes e reflexos na imagem do governo Lula, dado que setores da oposição vinculam o presidente ao magistrado.
A estratégia de Michelle Bolsonaro busca contrapor a imagem de Moraes, associado ao campo do governo, à de Mendonça, apresentado como símbolo de fé e valores cristãos. O movimento ocorre após a ex-primeira-dama superar conflito público com o enteado Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, que pediu desculpas publicamente em julho.
Avaliações internas da cúpula do PL indicam que o atrito com Flávio não prejudicou o capital político de Michelle perante os eleitores. A reconciliação entre os dois foi articulada pelo partido para evitar danos à campanha presidencial.


