O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou nesta quinta-feira (3) que pretende aplicar sanções econômicas a empresas de petróleo que operam nas Ilhas Malvinas. Em pronunciamento televisivo, Milei declarou que o território é argentino “por história e por direito” e anunciou o envio de um projeto de lei ao Congresso para fortalecer a resposta do país.
A medida visa barrar um projeto de extração de petróleo no campo Sea Lion, localizado ao norte das ilhas, com reservas estimadas em 1,7 bilhão de barris. Duas companhias, uma britânica e outra israelense, devem iniciar a operação nos próximos 18 meses. Milei classificou a iniciativa como uma ameaça urgente à soberania argentina.
O mercado reagiu às ameaças nesta sexta-feira (4). As ações da Rockhopper Exploration, empresa britânica, caíram cerca de 10%, enquanto a Navitas Petroleum, de Israel, registrou queda de pelo menos 4,5%. O governo do Reino Unido afirmou que o compromisso com o arquipélago é “inabalável”. O secretário de Defesa, Wes Streeting, disse que a fala de Milei reflete mais a política interna argentina do que a questão das ilhas.
Um porta-voz do primeiro-ministro Andy Burnham informou que Londres apoia o direito dos habitantes de desenvolverem seus recursos naturais. Em referendo realizado em 2013, 99,8% dos eleitores das ilhas votaram para permanecer sob administração britânica, com 92% de participação do eleitorado.
O cenário é agravado por sinais vindos de Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no Salão Oval que revisa todas as posições do governo, incluindo a neutralidade dos EUA na disputa. Trump evitou responder se auxiliaria o Reino Unido em caso de nova tentativa de reivindicação territorial por parte da Argentina.
Especialistas indicam que a retórica de Milei surge em um momento de queda de popularidade do governo devido a políticas fiscais. A questão das Malvinas tem servido como ponto de união nacional, evidenciado recentemente por jogadores argentinos que exibiram faixas com a reivindicação do território após vencerem a Inglaterra nas semifinais da Copa do Mundo de 2026.


