O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou nesta quinta-feira (3) o endurecimento de sanções contra empresas envolvidas na exploração de petróleo nas Ilhas Malvinas. A medida ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar nesta semana que não descarta revisar a posição de Washington sobre a disputa histórica pelo arquipélago.
A decisão de Milei é uma resposta ao projeto petroleiro Sea Lion, conduzido pela empresa britânica Rockhopper e pela israelense Navitas. As operações de exploração ocorrem em águas situadas a 220 km das Malvinas, o que levou o governo argentino a classificar a iniciativa como uma ameaça aos interesses estratégicos do país.
O presidente afirmou que a Argentina agirá com firmeza contra operações não autorizadas e anunciou a criação de uma base naval na província da Terra do Fogo. Milei declarou que a população das ilhas não possui direito legítimo à autodeterminação por ser uma população implantada em território usurpado.
A disputa pela soberania do arquipélago é objeto de uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1965. O documento solicita que Argentina e Reino Unido evitem decisões unilaterais e busquem a solução do impasse por via diplomática, apelo que Milei disse ter sido ignorado sistematicamente pelos britânicos.
O anúncio acontece em um momento de queda na aprovação do governo, a pouco mais de um ano das eleições para o segundo mandato. Segundo Tomás Mugica, diretor do Centro de Estudos Internacionais da Universidade Católica Argentina, existe um consenso amplo entre a população e as elites políticas sobre a legitimidade da reivindicação de soberania.


