O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) concentra mais da metade dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais novos no Brasil. Na cidade de São Paulo, a participação é maior, representando dois terços de todos os negócios, impulsionada por subsídios governamentais e juros reduzidos.
O crescimento do MCMV ocorre enquanto as vendas de imóveis de médio e alto padrão perdem espaço devido às altas taxas de juros. Segundo o economista-chefe do Secovi, Celso Petrucci, a aderência se explica pelos juros do programa, que variam entre 4,5% e 8,16% ao ano, contra 12% a 14% no restante do mercado.
Alberto Ajzental, coordenador de negócios imobiliários da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que a classe média enfrenta dificuldades para comprar imóveis entre R$ 600 mil e R$ 2,25 milhões devido ao preço elevado e ao custo do crédito. Para Ajzental, o ganho de participação do programa público decorre também do encolhimento desses outros setores.
O cenário levou incorporadoras como Trisul, Eztec, Lavvi, Melnick, Moura Dubeux e Tecnisa a atuar no segmento. A REM, focada em médio-alto padrão, lançará este mês o primeiro empreendimento econômico no Alto da Lapa, com 513 apartamentos. O presidente da empresa, Rodrigo Mauro, disse que a decisão visa a diversificação diante da crise na classe média-alta.
A empresa ADN, que opera em 11 municípios do interior, planeja entrar no mercado da capital em 2027 com 700 unidades na Água Branca. O sócio Pedro Donadon informou que o maior desafio do setor é a margem de lucro apertada, o que exige maior eficiência em engenharia e projetos.
Apesar da alta nos lançamentos, o estoque de unidades do MCMV é considerado baixo. Em São Paulo, as 52,8 mil unidades disponíveis representam oito meses de vendas. No Brasil, o estoque de 137,1 mil unidades equivale a 7,6 meses de vendas, volume inferior ao registrado na crise de 2014.


