O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) concentra mais da metade dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais novos no Brasil. Na cidade de São Paulo, a participação do programa é maior, respondendo por dois terços de todos os negócios imobiliários da capital.
O crescimento do setor é impulsionado pela ampliação do teto de preços e das faixas de renda pelo governo federal. O programa agora abrange imóveis de até R$ 600 mil e famílias com renda mensal de até R$ 13 mil. Subsídios extras de prefeituras e Estados, como em São Paulo, onde os valores variam entre R$ 10 mil e R$ 16 mil para a entrada, também estimulam a demanda.
Segundo Celso Petrucci, economista-chefe do Sindicato da Habitação (Secovi), a aderência se explica pelas taxas de juros, que variam entre 4,5% e 8,16% ao ano via Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). No restante do mercado, o crédito custa entre 12% e 14% ao ano. Petrucci estima que, se os juros de dois dígitos persistirem, o programa possa atingir 65% das unidades nacionais.
O avanço do MCMV ocorre paralelamente ao recuo de imóveis de médio e alto padrão. Alberto Ajzental, coordenador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que a classe média enfrenta dificuldades para comprar devido aos preços elevados e aos juros altos, enquanto o segmento de luxo permanece estável.
Incorporadoras como Trisul, Eztec, Lavvi, Melnick, Moura Dubeux e Tecnisa passaram a atuar no segmento. A REM lançará em setembro seu primeiro projeto econômico, com 513 apartamentos no Alto da Lapa. A empresa planeja ainda um condomínio de 2,5 mil unidades no Jaguaré nos próximos dois anos. A ADN, que atua no interior, prevê seu primeiro lançamento na capital em 2027, na Água Branca.
O estoque de unidades do MCMV no Brasil é de 137,1 mil, alta de 23% em um ano, mas representa apenas 7,6 meses de vendas. Em São Paulo, o estoque é de 52,8 mil unidades, volume 58% superior ao do ano anterior, o que equivale a oito meses de escoamento no ritmo atual.


