Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) discutem formas de convencer Alexandre de Moraes a desistir da candidatura à presidência da Corte, com posse prevista para daqui a um ano. A movimentação ocorre após a quebra de sigilo de investigação da Polícia Federal (PF) que detalhou a relação do magistrado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A crise institucional no tribunal levou parte dos magistrados a considerar que a desistência de Moraes da sucessão seria a maneira de preservar a instituição e evitar que outros membros sejam arrastados ao conflito. Ao menos um ministro defende que o magistrado deveria renunciar ao cargo para encerrar a instabilidade.
O relatório da PF, com 247 páginas, baseou-se na quebra de sigilo de um dos oito aparelhos celulares de Vorcaro. O documento de análise cita o nome de Alexandre de Moraes 36 vezes, excluindo reproduções de mensagens e apelidos. O ex-deputado Fabio Faria é a pessoa mais citada no texto, aparecendo 39 vezes.
A oposição no Congresso reage com pedidos de impeachment, ações por corrupção e tráfico de influência. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) solicitou a prisão do ministro, enquanto o senador Carlos Viana (PSD-MG) afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não pode ignorar os pedidos de afastamento de Moraes.
A investigação também cita o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, nove vezes, além de seis menções ao apelido “PG”. Mensagens indicam que o filho do PGR teria viajado com custos pagos por Vorcaro. Gonet precisaria se manifestar sobre eventual investigação contra Moraes, mas a decisão final cabe ao Supremo.
Agentes da PF informaram que uma possível delação premiada do ex-banqueiro tornou-se menos provável. O sigilo do inquérito foi levantado por ordem do ministro André Mendonça. A reconstrução das mensagens foi possível graças ao IPED, ferramenta desenvolvida em 2012 pelo perito criminal federal Luís Filipe Nassif.


