O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), incluiu o colega de Corte André Mendonça no rol de investigados do inquérito das fake news. O despacho, publicado nesta quinta-feira (3), ocorre após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que detalha relações entre Moraes e o dono do Banco Master.
No caso contra Mendonça, as acusações envolvem quebra de imparcialidade e favorecimento a políticos nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. Moraes afirma que o ministro usurpou atribuições de órgãos de investigação e comprometeu a cadeia de custódia de provas. O relator também atribui a Mendonça a condução irregular de colaborações premiadas e o direcionamento de apurações contra ele e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A medida é uma resposta à publicidade de um relatório da Polícia Federal sobre a relação de Moraes e de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O banqueiro é acusado de fraude de R$ 12 bilhões contra o sistema financeiro nacional. O documento, tornado público por decisão de Mendonça, menciona a participação de Moraes na edição de um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de Viviane.
O relatório da PF também implica o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O texto cita que Gonet trocou mensagens com Vorcaro, expressou torcida pelo banqueiro e aceitou convite para degustação de uísque e charutos em Londres, com custos pagos pelo Banco Master, viagem na qual o filho do procurador também teria participado.
Instaurado em março de 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, o inquérito das fake news começou para investigar ataques a magistrados e familiares. Ao longo de sete anos e meio, a investigação incluiu aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como o ex-deputado Daniel Silveira, além de youtubers como Allan do Santos e Bernardo Kuster, a ex-ativista Sara Winter e o Partido da Causa Operária (PCO).
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, publicou despacho solicitando manifestações de Moraes, Mendonça, da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) no prazo de cinco dias. Mendonça solicitou a Fachin que o plenário da Corte decida a ação a ser tomada com base nos fatos do relatório.


