O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), incluiu o ministro André Mendonça no rol de investigados do inquérito das fake news. O despacho, publicado nesta quinta-feira (3), ocorre após Mendonça tornar público um relatório da Polícia Federal (PF) que detalha a relação de Moraes e do procurador-geral da República com o dono do Banco Master.
Moraes acusa Mendonça de quebra de imparcialidade e favorecimento a políticos nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. Segundo o relator do inquérito, o colega teria usurpado atribuições de órgãos de investigação e comprometido a cadeia de custódia de provas. O magistrado alega ainda que houve condução irregular em colaborações premiadas e direcionamento de apurações contra ele e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A medida é uma resposta à divulgação de relatório da PF que expôs a relação de Moraes e de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Vorcaro é acusado de fraude de R$ 12 bilhões contra o sistema financeiro nacional. O documento cita a participação de Moraes na edição de uma minuta de contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de sua mulher.
O relatório também implicou o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O chefe do Ministério Público Federal (MPF) teria trocado mensagens com o banqueiro e aceitado convites para degustação de uísque e charutos em Londres, com despesas pagas pelo Banco Master. Mendonça decidiu tornar o documento público após a imprensa detalhar o conteúdo, que ainda estava sob sigilo.
O inquérito das fake news foi instaurado há sete anos e meio pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, sem aval do MPF. Inicialmente focado em ataques a ministros, o processo passou a investigar aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e, posteriormente, adversários pessoais de Moraes. Entre os investigados estão o Partido da Causa Operária (PCO), os youtubers Allan do Santos e Bernardo Kuster, e a ex-ativista Sara Winter.
O presidente do STF, Edson Fachin, publicou despacho solicitando manifestações de Moraes, Mendonça, PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) no prazo de cinco dias. Em resposta, Mendonça solicitou que o plenário da Corte decida qual ação tomar diante dos fatos apresentados no relatório.


