O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou nesta quinta-feira (3) que o colega André Mendonça seja investigado por improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade. O pedido, feito no âmbito do inquérito das fake news, refere-se à condução do caso do Banco Master e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O despacho foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, para as providências necessárias. A decisão provocou reações imediatas de figuras ligadas ao bolsonarismo, que alegam perseguição política e abuso de poder por parte de Moraes.
O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) vinculou o magistrado ao presidente Lula, afirmando em rede social que o Brasil é maior do que o “ministro do Lula”. Sem apresentar provas, o político também alegou a existência de uma articulação ilegal contra ele, envolvendo o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e o ministro Flávio Dino.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou que o inquérito das fake news serve apenas para perseguir adversários. No mesmo sentido, o candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, falou em “ditadura de Alexandre de Moraes” e defendeu a prisão do ministro. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sugeriu que Mendonça deveria dar voz de prisão a Moraes em plenário.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, declarou que Moraes utiliza o inquérito como instrumento de poder pessoal para constranger quem supervisiona investigações que alcançam o próprio magistrado. O ex-procurador Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo Novo no Paraná, classificou a ação como ilegal.
O pastor Silas Malafaia afirmou que a República corre risco se o STF não interromper a atuação de Moraes, a quem chamou de criminoso. Já o presidente Lula comentou as acusações envolvendo Moraes nesta quinta-feira, afirmando que pessoas com cargos públicos devem colocar o compromisso público acima de interesses pessoais, sem citar nomes.
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou na quarta-feira (2) que ninguém está acima da lei, incluindo integrantes do Judiciário, em tentativa do partido de se distanciar do caso para evitar impactos na campanha eleitoral.


