O ministro Alexandre de Moraes solicitou, nesta quinta-feira (3), a abertura de investigação sobre a conduta do colega André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido ocorre a um mês do primeiro turno das eleições presidenciais e coloca a crise interna da Corte no centro do debate político.
Moraes atribuiu a Mendonça possíveis condutas criminosas, incluindo improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. O ministro alega haver indícios de enviesamento na supervisão judicial, quebra da cadeia de custódia de provas e direcionamento temático nas investigações. A medida pode comprometer a apuração de fraudes ligadas ao Master e a descontos indevidos do INSS.
O presidente do STF, Edson Fachin, atua como árbitro do conflito e abriu um procedimento autônomo. Fachin solicitou esclarecimentos em cinco dias úteis para Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A intenção é tentar desvincular a apuração do inquérito do Master e do inquérito das fake news.
O presidente Lula publicou um vídeo nas redes sociais para distanciar sua imagem de Moraes, após conversas com Fachin e Gilmar Mendes. Lula afirmou que todos devem ser investigados, sem blindagem, e criticou a ocorrência de vazamentos seletivos. A estratégia visa reduzir o passivo político da associação entre o governo e o ministro Moraes diante das suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do Master.
A disputa no tribunal reflete no cenário eleitoral, já que o próximo presidente poderá indicar quatro ministros ao STF até 2030. Aliados de Flávio Bolsonaro consideram a crise no tribunal um momento favorável para a campanha. No Senado, a composição após as eleições definirá a força de eventuais ofensivas contra magistrados da Corte.


