A jornalista e ativista Gloria Steinem, referência do feminismo de segunda onda, morreu nesta quarta-feira (2), em sua casa em Nova York, aos 92 anos. Cofundadora da revista Ms. e do National Women’s Political Caucus em 1971, Steinem dedicou a vida à defesa dos direitos das mulheres e à luta por mudanças sociais radicais.
Steinem iniciou sua trajetória pública em 1963, quando se infiltrou como “coelhinha” da revista Playboy para denunciar a cultura de misoginia e degradação. No entanto, ela considerava que sua atuação como feminista ativa começou apenas em 1969, ao cobrir um evento sobre aborto em Nova York, onde as histórias compartilhadas por outras mulheres a impactaram profundamente.
A trajetória da ativista foi marcada por engajamentos diversos, incluindo a luta pela aprovação da Emenda dos Direitos Iguais. Em 2013, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, concedida por Barack Obama. Ela também atuou em protestos contra o apartheid, tendo sido detida em 1984 durante manifestação em frente à Embaixia da África do Sul, em Washington.
Nascida em 35 de março de 1934, em Toledo, Ohio, Steinem foi a cuidadora principal de sua mãe, Ruth, que enfrentava doenças mentais. A experiência de observar o desprezo de pessoas no poder em relação à mãe foi, segundo a ativista, fundamental para a formação de sua consciência sobre justiça social.
Formada em governo pelo Smith College, Steinem buscou expandir suas experiências viajando para a Índia com uma bolsa de estudos. Ao longo da carreira, ela defendeu que o movimento feminista foi inventado por mulheres negras, afirmando em 2015 que a parcela branca e de classe média do movimento foi a que recebeu maior cobertura midiática.
Além da atuação política, Steinem era reconhecida por promover círculos de conversa em sua residência, conectando mulheres das artes e da política. Sua imagem, marcada pelos óculos aviador, tornou-se o rosto do feminismo global, desafiando estereótipos sobre a aparência de mulheres engajadas politicamente.


