O número de mortos após enchentes e deslizamentos de terra no Nepal subiu para 1.010 nesta terça-feira (1º), segundo o Ministério das Relações Exteriores do país. Cerca de 4 mil pessoas seguem desaparecidas e equipes de resgate ainda não conseguem acessar áreas atingidas no norte da região devido a pontes destruídas e estradas interrompidas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que a erosão nas margens de rios e a queda de serviços de eletricidade e comunicação dificultam as operações. Cerca de 10 mil famílias foram afetadas pela tragédia. No Himalaia, entre o Nepal e a China, a inundação destruiu mais de 35 pontes e danificou 40 quilômetros de estradas.
A Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Risco de Desastres do Nepal (NDRRMA) relatou escassez de alimentos básicos, como arroz e lentilha, e falta de barracas para abrigo nos distritos de Rasuwa e Nuwakot. Na Municipalidade Rural de Tarkeshwar, em Nuwakot, a NDRRMA afirmou que nenhum material de ajuda chegou às comunidades.
O relatório da ONU indica que 2.600 crianças menores de cinco anos podem precisar de tratamento para desnutrição aguda grave, de um total de 22.100 crianças afetadas. Milhares de gestantes necessitam de suporte nutricional e mais de 100 crianças podem ter sido separadas dos pais.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos atribuiu o desastre ao colapso de uma geleira, que lançou água e sedimentos rio abaixo. O ministro das Finanças, Swarnim Wagle, disse que a reconstrução da infraestrutura pode custar mais de US$ 4 bilhões. No Tibete, onde o rio Trishuli nasce, há a confirmação de 16 mortos e 500 desaparecidos.
Para contornar o isolamento, voluntários do Exército e policiais testam drones capazes de carregar até 100 quilos em Devighat, na cidade de Bidur. Os aparelhos transportam pacotes de arroz, macarrão instantâneo, roupas e absorventes higiênicos para as áreas onde o transporte terrestre é impossível.


