O Ministério Público da Bahia (MP-BA) moveu uma ação civil pública nesta quarta-feira (9) contra três empresas por suposta intermediação de pagamentos para plataformas ilegais de apostas. O órgão pede à Justiça o bloqueio de bens e ativos financeiros das companhias e de seus sócios no limite de R$ 5 milhões.
As empresas citadas são a Nuoro Pay Instituição de Pagamento Ltda., a Select Credit Sociedade de Crédito ao Microempreendedor e à Empresa de Pequeno Porte Ltda. e a Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A. Segundo o MP-BA, a Nuoro Pay e a Select Credit teriam operado pagamentos para casas de apostas não autorizadas sem verificar a confiabilidade das beneficiárias ou monitorar transações atípicas.
A Cartos é acusada de fornecer a infraestrutura para viabilizar a intermediação com a Nuoro Pay. Além do bloqueio financeiro, o Ministério Público solicitou o encerramento definitivo das três companhias e a adoção de mecanismos de controle sobre as transações, incluindo a consulta à lista de plataformas autorizadas pelo Ministério da Fazenda.
A investigação indica que as empresas integravam uma estrutura para evitar que as plataformas de apostas recebessem valores diretamente dos jogadores. O uso de fintechs e intermediárias dificultaria a identificação dos destinatários finais, com comprovantes de transferência que omitiam o nome das casas de apostas.
O órgão apurou a existência de empresas recém-constituídas, endereços repetidos, documentos com indícios de edição e mudanças sucessivas na composição societária. O caso começou após a denúncia de um consumidor sobre um golpe envolvendo apostas e intermediadoras, com prejuízo superior a R$ 100 mil.
Durante a apuração, o MP-BA consultou plataformas de reclamações de consumidores. Em julho de 2025, foram localizados 1.536 registros relacionados à Nuoro Pay, com relatos de fraudes financeiras, pedidos de estorno e problemas não solucionados ligados a jogos e apostas.


