O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou policiais civis suspeitos de cobrar propinas para liberar cargas ilegais de celulares e eletrônicos. Os pagamentos, que somam R$ 2,35 milhões, teriam ocorrido em quatro ocasiões entre junho e dezembro de 2024.
As investigações começaram com a prisão de Thiago Marcel Magnabosco, em 17 de dezembro de 2024. No aparelho celular do investigado, acusado de liderar o grupo de introdução clandestina de eletrônicos, foram encontradas evidências de que policiais solicitavam 70% do valor estimado das cargas para não efetuarem apreensões ou realizarem recolhimentos simbólicos.
Em 17 de junho de 2024, uma carga teria sido liberada após um “acerto” de R$ 400 mil. Segundo a denúncia, o policial responsável pela abordagem apreenderia apenas dez celulares para dar aparência de legalidade à operação, devolvendo o restante dos produtos no dia seguinte.
Um segundo episódio ocorreu em 1º de julho, com a intermediação do advogado Sidiclei da Costa Almeida. Na ocasião, cerca de 4 mil aparelhos celulares teriam sido objeto de negociação. Os policiais Marcos Vinicius de Souza Melo e Vagner Ramalho são apontados como envolvidos no caso, com a cobrança de honorários e propinas que somavam R$ 115 mil.
Em 29 de agosto, um caminhão foi levado ao 1º Distrito Policial de Barueri, onde teriam sido solicitados R$ 700 mil para a liberação da carga. A apuração indica que R$ 166,2 mil foram transferidos para a Riviera Soluções Tec Ltda, empresa descrita como de fachada. O restante, quase R$ 500 mil, teria sido pago em espécie.
A denúncia detalha que a restituição dessa carga foi feita com escolta da própria Polícia Civil para evitar abordagens da Polícia Rodoviária Federal. O investigador Vagner de Lima teria utilizado sua credencial para monitorar o deslocamento do veículo por meio de leitores automáticos de placas antes da chegada a Barueri.

