O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou 22 pessoas nesta terça-feira (1º) por organização criminosa e fraude em licitações de cantinas em presídios do estado. A segunda fase da Operação Snack Time aponta que o esquema causou prejuízo superior a R$ 25 milhões aos cofres públicos.
A ação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), cumpre mandados de busca e apreensão na capital, em Mesquita e em Duque de Caxias. Os denunciados tornaram-se réus após a 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa receber a denúncia.
Segundo o MPRJ, o grupo operou a chamada “máfia das cantinas” por nove anos, entre 2015 e 2024. O esquema utilizava empresas que simulavam concorrência nos certames, mas respondiam a um único comando para impedir a entrada de novos competidores. Em uma das disputas, as empresas do grupo conquistaram 95% dos lotes disponíveis.
A organização era controlada por Anderson Sabino de Oliveira, Ronaldo Barbosa Souza, Arildo Santana Filho, Sérgio Rômulo Ferreira do Nascimento, Leandro Rodrigues Mendonça e Alexandre Costa da Silva. Durante as buscas, agentes do Gaeco encontraram dinheiro em espécie e joias na residência de Ronaldo Barbosa Souza, que é policial penal.
A acusação afirma que o cartel contava com apoio de agentes públicos. Rafael Rodrigues de Andrade, ex-subsecretário de Gestão, Finanças e Planejamento, é denunciado por desclassificar empresas que não integravam o esquema. Andrade já havia sido preso em 2020 durante a Operação Hiperfagia, que investigava fraudes em alimentação no Complexo Penitenciário de Gericinó.
A primeira fase da Operação Snack Time ocorreu em novembro de 2024, com o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão.

