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Economia

MPT processa Uber e pede fim de programa de assinatura

Carla Fernandes
Última atualização: 1 de setembro de 2026 13:19
Carla Fernandes
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Tempo: 3 min.
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O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil contra a Uber para suspender o programa “Passe para Motoristas”, modalidade de assinatura que isenta a taxa de serviço das corridas. O órgão pede a devolução dos valores pagos pelos parceiros e o pagamento de R$ 321 milhões por dano moral coletivo.

Implementado em 25 de maio e disponível em 12 cidades brasileiras, o sistema permite que o motorista pague antecipadamente para receber o valor integral das viagens. Existem duas modalidades: a contratação por tempo, válida por 24 ou 72 horas, e o modelo baseado em faturamento, onde a isenção dura até que um limite de ganhos seja atingido.

O MPT argumenta que a cobrança gera custos elevados, podendo ultrapassar R$ 1 mil mensais dependendo do uso. Para o procurador do caso, a exigência de pagamento para que o trabalhador acesse a totalidade dos ganhos é incompatível com os princípios das relações de trabalho.

A ação questiona ainda o impacto na concorrência. Segundo o órgão, o motorista que adquire o passe sentiria pressão para concentrar as atividades na Uber a fim de recuperar o investimento, prejudicando a atuação de outras plataformas de transporte.

A Uber afirmou que o modelo de assinatura não é exclusivo e já é utilizado por outras empresas do setor no Brasil. A companhia declarou que a ferramenta está em fase de testes para oferecer maior previsibilidade sobre o custo de intermediação e classificou as interpretações do MPT como equivocadas e baseadas em visão ideológica.

O Ministério Público do Trabalho solicitou também acesso ao código-fonte da empresa. O objetivo é analisar a distribuição de corridas, os critérios de precificação dinâmica e a transparência dos valores cobrados dos passageiros e repassados aos motoristas.

O juiz Luciano Carreiro, da 9ª Vara do Trabalho de Salvador, pediu cautela na análise dos pedidos em decisão proferida no dia 20. O magistrado informou que a relevância do tema não comprova as alegações e que pontos como o endividamento dos motoristas e a retenção de créditos futuros deverão ser investigados.

TAGGED:assinatura-motoristaseconomia-compartilhadajustiça-do-trabalhoMPTUber
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