A oscilação frequente de temperatura e umidade tem provocado o aumento de atendimentos médicos por dor de garganta, congestão nasal, crises de rinite e rouquidão. Segundo especialistas em otorrinolaringologia, o clima instável irrita as vias aéreas e torna o organismo mais suscetível a infecções respiratórias nesta sexta-feira (4).
Roberta Pilla, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), explica que o ar frio e seco resseca as mucosas do nariz e da garganta. Esse processo gera a sensação de garganta seca e a necessidade frequente de pigarrear. A médica Maura Neves afirma que a vulnerabilidade das mucosas abre espaço para inflamações.
O cenário é agravado pela permanência em locais pouco ventilados e pelo uso de ar-condicionado. A combinação de ar seco e ambientes fechados favorece a circulação de vírus e reduz a capacidade de defesa natural do corpo, intensificando quadros infecciosos e alérgicos.
Crianças, idosos e pacientes com asma ou sinusite são os grupos mais vulneráveis. Segundo Pilla, crianças possuem sistema imunológico em desenvolvimento e idosos apresentam imunidade reduzida. Neves acrescenta que as infecções respiratórias tendem a ser mais graves na terceira idade.
Profissionais que utilizam a voz intensamente, como professores, cantores, advogados e jornalistas, também apresentam maior sensibilidade. O ressecamento das vias aéreas eleva o risco de irritação e rouquidão nesses grupos.
A recomendação médica é buscar atendimento caso os sintomas persistam por mais de uma semana, ocorra febre alta, dor facial ou secreção nasal espessa. Rouquidão com duração superior a 14 dias, dificuldade para engolir ou respirar e dor intensa também exigem investigação.
Para prevenir os efeitos, as médicas orientam a manutenção da hidratação, lavagem nasal com solução salina e atualização da vacinação. Maura Neves alerta ainda para a manutenção dos filtros de ar-condicionado, que podem acumular partículas irritantes.


