A neuromodulação surge como alternativa para pacientes com dor crônica que não respondem a medicamentos, fisioterapia ou cirurgias. Diferente de procedimentos que lesionam as vias nervosas, a técnica utiliza pequenos impulsos elétricos para modificar o funcionamento dos circuitos de dor sem destruí-los, atuando na forma como a informação circula pelo sistema nervoso.
Uma das metodologias mais aplicadas é a estimulação da medula espinhal. O processo consiste na instalação de eletrodos finos próximos à medula, que funcionam como um marca-passo para a dor, com programação ajustada conforme a resposta de cada paciente.
Para casos mais específicos, como dores neuropáticas no tornozelo ou no pé, é utilizada a estimulação do gânglio da raiz dorsal (DRG). Essa estrutura processa as informações sensitivas antes que elas entrem na medula, permitindo que a terapia seja concentrada em territórios menores do corpo.
A tecnologia evoluiu de sistemas que causavam formigamento para padrões de estimulação imperceptíveis. O padrão Burst, por exemplo, utiliza sequências de impulsos que podem influenciar a dimensão afetiva da dor, e não apenas a intensidade do sinal transmitido.
Existem ainda os sistemas de circuito fechado, conhecidos como closed-loop. Esses dispositivos medem a resposta do sistema nervoso ao estímulo e ajustam automaticamente a intensidade da corrente elétrica para compensar variações do paciente ao longo do dia, inclusive mudanças de posição.
O neurocirurgião Eduardo Urbano afirma que a neuromodulação não é indicada para todos os tipos de dor crônica. A escolha do paciente depende da identificação do mecanismo da dor e da avaliação de tratamentos anteriores para garantir que a terapia resulte em redução do sintoma e melhora da capacidade funcional.


