O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) admitiu, em vídeo publicado nesta quinta-feira (3), ter mantido contatos com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O parlamentar negou, porém, ter recebido dinheiro, firmado contratos ou se encontrado pessoalmente com o banqueiro, afirmando que as conversas eram irrelevantes.
Segundo Ferreira, o contato de Vorcaro foi enviado pelo pastor André Valadão. O deputado explicou que uma das conversas ocorreu em abril de 2024, após ele cobrar, via Lei de Acesso à Informação, esclarecimentos sobre o financiamento de um evento em Londres que contou com a presença de ministros de tribunais superiores e do diretor-geral da Polícia Federal. De acordo com o parlamentar, Valadão informou que o banqueiro não havia gostado da publicação.
O deputado confirmou ter utilizado aeronaves disponibilizadas por Vorcaro durante o segundo turno das eleições de 2022, em atos de apoio à campanha de Jair Bolsonaro. Nikolas Ferreira afirmou que, na época, não havia indícios de irregularidades envolvendo o empresário e que desconhecia quem era o proprietário dos aviões.
Sobre áudios em que pede para Vorcaro conversar com seu advogado, Thiago Rodrigues de Faria, o deputado disse que Faria solicitou a ponte para tratar da possível venda de um ativo minerário. Ferreira declarou que apenas repassou o contato e não conhecia os detalhes da negociação, informando que o advogado deixou de falar com o banqueiro após a divulgação de suspeitas sobre o Banco Master.
No vídeo, o parlamentar comparou sua situação com a de autoridades do Judiciário e do Legislativo. Ele citou contratos do banco com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e mencionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Ferreira acusou a imprensa e adversários políticos de utilizarem as conversas como cortina de fumaça para desviar a atenção de escândalos no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele assegurou que novas mensagens que venham a ser divulgadas não mostrarão registros de pagamentos, benefícios a familiares ou encontros sociais com o fundador do banco.


