O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) montou uma rede própria de candidatos, apelidada de “exército”, para as próximas eleições. A iniciativa gera atritos com a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, já que o parlamentar mineiro apoia nomes que divergem das escolhas do clã Bolsonaro em diversos estados.
A meta de Ferreira é eleger ao menos 10 deputados federais pelo país e nove estaduais em Minas Gerais. Os escolhidos gravaram vídeos em Brasília e Belo Horizonte, utilizam materiais padronizados e se apresentam nas redes sociais como “candidatos do Nikolas”. A mobilização incomoda a equipe de Flávio Bolsonaro, que preferia a transferência de votos do deputado vinculada diretamente ao presidenciável.
Em Minas Gerais, o deputado entrou em conflito com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para barrar a filiação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha na chapa proporcional. Enquanto Flávio Bolsonaro gravou vídeo pedindo votos para Cunha, filiado ao Republicanos, Ferreira manteve a oposição ao nome. Na disputa ao Senado, Nikolas apoia Domingos Sávio (PL) e Marco Antônio Superman (Novo), enquanto o entorno de Flávio se aproxima de Carlos Viana (PSD).
A estratégia para a Assembleia Legislativa de Minas também mudou. Em 2022, o apoio era concentrado no deputado estadual Bruno Engler (PL). Agora, a chancela foi distribuída entre nove nomes. Segundo o presidente do PL em Minas, Zé Vitor, o movimento visa fortalecer a chapa por meio das relações formadas pelo deputado em todo o estado.
Em Santa Catarina, a autonomia de Nikolas se manifestou na relação com a deputada estadual Ana Campagnolo (PL). A parlamentar se recusou a gravar vídeo para Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado, e foi pressionada publicamente por Flávio. Mesmo após o episódio, Nikolas preservou a parceria com Campagnolo.
A rede de apoio atravessa fronteiras partidárias e inclui nomes do Novo, PP e Republicanos. Em Goiás, a divergência é explícita: Nikolas apoia Sanches da Federal (PP), enquanto Flávio Bolsonaro faz campanha para o Major Vitor Hugo (PL). O grupo também inclui Pedro Pôncio (Novo) em São Paulo, Guilherme Kilter (Novo) no Paraná, Hiago Stock (Novo) no Rio Grande do Sul e Athally Albuquerque (Republicanos) em Roraima.


