O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) solicitou ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a liberação de um ativo minerário para Thiago Rodrigues de Faria, advogado e ex-assessor de seu gabinete. O pedido consta em áudios divulgados pela imprensa, nos quais o parlamentar afirma querer ter mais proximidade com o banqueiro.
No primeiro áudio, enviado em 30 de março de 2025, Nikolas informa que Faria possui um ativo minerário pendente de liberação na empresa de Vorcaro. O deputado diz que, embora não tivesse a proximidade que gostaria, decidiu interceder por ser alguém em quem confia totalmente. Vorcaro respondeu à mensagem e solicitou que o advogado entrasse em contato.
Questionado sobre o caso, Thiago Rodrigues de Faria afirmou que o deputado estava em campanha e que as perguntas eram irrelevantes. O advogado explicou que trabalha na área de mineração e que o ativo em questão já havia saído de outra pessoa que teve problemas, ressaltando que nunca foi chamado a depor na Polícia Federal.
Outras mensagens revelam que Nikolas pediu desculpas a Vorcaro por criticar o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, evento em Londres financiado pelo Banco Master. No áudio, o parlamentar admite que não sabia que a instituição era do banqueiro e o chama de “lindão”, sugerindo um encontro posterior.
Em conversa com o empresário Flávio Carneiro, datada de 29 de abril de 2024, Daniel Vorcaro afirmou ter bancado todos os voos utilizados por Nikolas Ferreira. O diálogo ocorreu após o deputado questionar o custeio de viagens de ministros para o fórum em Londres. O texto não detalha a quantidade de passagens ou o período dos pagamentos.
A apuração indica ainda que Vorcaro buscou a ajuda do pastor André Valadão para mediar a relação com o deputado após os ataques ao evento. Valadão teria informado ao banqueiro que Nikolas pediu perdão e que contornaria a situação. Em 4 de maio de 2024, Carneiro confirmou que o parlamentar removeu as postagens críticas.
A assessoria de Nikolas Ferreira, a defesa de Vorcaro e as assessorias de Valadão e Carneiro não responderam aos pedidos de manifestação.


