A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que quase 11 milhões de pessoas contrairão sarampo em 2026. A maioria dos casos deve se concentrar na África e na Ásia, embora surtos com centenas ou milhares de infectados já sejam relatados em diversos países das Américas e da Europa.
O número anual de casos vinha em declínio, passando de 38 milhões em 2000 para cerca de 10 milhões em 2019. Contudo, a tendência se inverteu após a pandemia da covid-19, com o aumento de epidemias acompanhando a queda nas taxas de vacinação de certas populações.
Para garantir a imunidade coletiva e proteger as comunidades, a cobertura vacinal precisa superar 95%. Enquanto países de alta renda mantêm índices próximos a essa meta, em nações de baixa e média renda apenas 80% das crianças receberam a primeira dose e 70% completaram a segunda dose recomendada.
Milhões de crianças em países pobres permanecem classificadas como “crianças com zero doses”. Em 2026, epidemias foram relatadas em locais com conflitos armados ou fluxos de refugiados, como Somália, Sudão, Líbano, Burundi e República Democrática do Congo.
No continente americano, o Canadá perdeu o status de eliminação do sarampo em novembro de 2025. México e Estados Unidos devem perder a mesma classificação em novembro de 2026, após a reunião do comitê da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
A circulação do vírus recomeçou entre o final de 2024 e o início de 2025 em comunidades menonitas conservadoras do Canadá, México e EUA. Nos Estados Unidos, surtos também foram registrados na Carolina do Sul e em Utah, ligados a grupos religiosos conservadores. O país registrou em 2026 mais casos do que em qualquer ano desde 1991.
A doença se expandiu para além de grupos religiosos. No México, a epidemia em aldeias menonitas atingiu comunidades indígenas. Na Bolívia, um surto iniciado entre menonitas de língua alemã atravessou a fronteira com o Peru e foi amplificado por frequentadores de festivais culturais.
Não existe tratamento para o sarampo, apenas a prevenção por vacinas. A falta de imunização expõe as pessoas a complicações graves, como cegueira, surdez e morte, com risco elevado para indivíduos desnutridos ou sem acesso a assistência médica.


