O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou, nesta quarta-feira (2), um relatório indicando que a meta de manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, estabelecida no Acordo de Paris de 2015, não será cumprida no curto prazo.
O documento, intitulado “Limiting Overshoot”, analisa a superação do limite de temperatura e as vias de retorno. Segundo a ONU, as políticas atuais indicam que a projeção média de aquecimento global deve atingir cerca de 2,6°C até o ano de 2100.
Mesmo em um cenário otimista, no qual todas as promessas existentes fossem cumpridas, o aumento da temperatura atingiria um pico de 1,8°C acima dos níveis pré-industriais. A organização afirma que cada ano de atraso e cada fração de grau acima do limite aumenta os riscos e dificulta a recuperação.
A ONU propõe um novo plano climático focado no corte profundo de metano, dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa. A remoção de dióxido de carbono deve atuar como complemento à descarbonização direta, e não como substituta.
O relatório de 139 páginas alerta que perdas irreversíveis são possíveis mesmo se as temperaturas diminuírem posteriormente. A organização defende que a mitigação e a adaptação devem avançar juntas para limitar a duração da ultrapassagem do limite térmico.
De acordo com o Pnuma, a superação da meta não deve servir como argumento para resignação, mas como motivo para a urgência de ações imediatas para entrar em uma trajetória de ultrapassagem, pico e declínio.


