O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) divulgou, nesta quarta-feira (2), o relatório “Limitando a Ultrapassagem”, que confirma que a temperatura global ultrapassará o aumento de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. O documento defende a limitação da magnitude e da duração desse período para reduzir custos de adaptação e riscos ambientais.
Especialistas sugerem uma trajetória de “ultrapassagem, pico e declínio” para tentar retomar os níveis previstos no Acordo de Paris. O relatório prevê que o pico de aumento possa chegar a 1,8°C na melhor das hipóteses, embora existam indícios de que a temperatura possa superar os 2°C.
Shobha Maharaj, professora adjunta do Instituto de Crises Ecológicas e Climáticas da Universidade de Fiji e autora do estudo, afirmou que o perigo reside na armadilha de reagir a emergências. Segundo a professora, a adaptação leva décadas para ser planejada e a falta de planos calibrados drena recursos que deveriam ser destinados à mitigação.
Joeri Rogelj, professor de Ciência e Política Climática do Imperial College, disse que a falha em reduzir emissões de gases de efeito estufa tornou o aumento inevitável. O docente explicou que reduções de emissões a curto prazo podem limitar a extrapolação do limite, mas que a mitigação inadequada levará ecossistemas além da capacidade de adaptação.
A CEO da COP30, Ana Toni, informou que a decisão “Mutirão Global”, aprovada em Belém, reconheceu a probabilidade de aumento temporário de 1,5°C. Toni afirmou que a redução de emissões já não é suficiente, sendo necessário aumentar a remoção de carbono por meio de reflorestamento massivo.
A agenda de combate à mudança do clima, dividida em seis eixos e 120 planos de solução, será debatida na Semana do Clima de Nova York, em setembro. Chris Bowen, ministro de Mudanças Climáticas e Energia da Austrália, afirmou que a próxima COP será focada em soluções práticas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que ondas de calor extremas comprovam que os impactos serão mais rápidos e severos. O dirigente afirmou que não haverá bons resultados se a temperatura permanecer acima de 1,5°C.


