O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) publicou nesta quarta-feira (2) um relatório que alerta para a inevitabilidade do overshoot, termo que descreve o momento em que a temperatura média do planeta ultrapassará o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris.
O documento afirma que a dependência de tecnologias de remoção de dióxido de carbono (CO2) para resfriar a Terra é pouco realista. Segundo a ONU, o esforço necessário para baixar o termômetro após a extrapolação do limite será exponencialmente maior, exigindo plantio de florestas em áreas possivelmente indisponíveis e o uso de ferramentas tecnológicas que ainda não estão maduras.
A diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, afirmou em entrevista coletiva que cortes rápidos e profundos em CO2, metano e outros gases-estufa são urgentes. Andersen criticou políticas climáticas que priorizam a remoção de carbono no futuro em vez de reduzir as emissões no curto prazo, mencionando que governos devem enviar sinais claros ao setor privado e instituições financeiras.
O relatório analisa a captura e armazenamento de carbono (CCS), técnica usada por empresas de petróleo e gás para enterrar o gás em profundezas. Para os cientistas do órgão, o potencial global do CCS é suficiente apenas para compensar as emissões da própria atividade de petróleo associada, e as reservas geológicas para a técnica se esgotariam no ano 2200.
Outra alternativa, a Captura e Armazenamento de Carbono Direto do Ar (DACCS), foi classificada como muito cara e com alto consumo de energia. Já o reflorestamento, embora comprovado, enfrenta limitações de território e eficiência em um planeta mais quente. O texto indica que seriam necessários 100 anos de manejo florestal na escala atual para reduzir a temperatura global em 0,1°C.
Para sistematizar a resposta ao aquecimento, os pesquisadores propõem três fases: resposta imediata para acelerar cortes de emissão, resistência para zerar emissões líquidas e, por fim, a consolidação de estratégias de remoção de CO2. O objetivo é que a temperatura média retorne ao limite de 1,5°C antes do fim do século.
O órgão critica a ideia de que a produção de combustíveis fósseis possa ser mantida caso as remoções de CO2 sejam ampliadas. O relatório contrasta com as metas de exploração de longo prazo de potências como Brasil, Rússia e EUA, além de observar que a China amplia energias renováveis, mas de forma adicional à sua base fóssil.


