Lideranças da oposição no Congresso Nacional enviaram um ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta terça-feira (1º), solicitando a exoneração imediata do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O pedido baseia-se em um suposto envolvimento pessoal do chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
A ofensiva foi coordenada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, e pelos deputados Cabo Gilberto (PL-PB), líder da oposição na Câmara, e Marcel van Hattem (Novo-RS). Além do pedido ao presidente, o grupo protocolou pedidos de impeachment e apresentou uma notícia-crime ao vice-procurador, Hindemburgo Chateaubriand, para que a conduta de Gonet seja investigada.
Os parlamentares afirmam que o procurador-geral cometeu crimes previstos no Código Penal e crime de responsabilidade. Segundo o documento, Gonet deveria ter se declarado impedido ou suspeito em decisões que envolvessem o Banco Master devido à relação próxima com Vorcaro, a qual classificam como superior ao critério institucional e moral esperado de uma autoridade da República.
A apuração indica que diálogos recuperados pela Polícia Federal no celular de Vorcaro mostram trocas de mensagens e ligações entre o banqueiro e o chefe da PGR, intermediadas pelo advogado Ciro Soares. Nos registros, Gonet aceita convite para degustação de uísque em Londres e pede que seu filho também seja convidado ao evento.
O caso é relatado pelo ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou o sigilo do relatório de investigação na terça-feira. Marcel van Hattem declarou que a permanência de Gonet no cargo é insustentável, afirmando que ninguém pode estar acima da lei.
A PGR informou que não comenta investigações sigilosas.


