Os candidatos ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL), adotaram estratégias opostas para desgastar a imagem do adversário. Enquanto Ruas tenta nacionalizar a disputa vinculando Paes ao presidente Lula, o ex-prefeito da capital associa o rival ao ex-governador Cláudio Castro e a figuras investigadas por crimes.
Douglas Ruas utiliza a expressão “soldado do Lula” para se referir a Paes, afirmando que o apoio ao concorrente contribui para um projeto do PT. A estratégia visa atrair a base de Jair Bolsonaro e de Flávio Bolsonaro, que disputa o Palácio do Planalto. Em entrevista no dia 25 de agosto ao canal Cláudio Dantas, Ruas relacionou o adversário a um governo que não enfrentaria o crime organizado.
Para o cientista político Sérgio Praça, a tentativa de trazer Lula para o debate busca forçar Paes a responder por temas como a dívida pública, exploração de bets e investigações de corrupção no governo federal. Segundo Praça, a imagem do presidente poderia retirar votos de direita indecisos, já que o eleitorado de esquerda já estaria consolidado com o candidato do PSD.
Paes, por sua vez, foca na ligação de Ruas com Cláudio Castro, de quem foi secretário. Na propaganda de TV, o ex-prefeito chama o rival de “príncipe herdeiro de Cláudio Castro” e cita o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar. Paes afirma que o grupo político composto por Witzel, Castro e Bacellar “virou sócio do crime organizado”.
O ex-prefeito tenta se distanciar da polarização nacional, declarando que quem governará o estado será a pessoa escolhida pelos eleitores fluminenses, e não Lula ou Bolsonaro. Aliados de Paes negam que haja um esforço para esconder a aliança com o presidente, argumentando que o capital político de quatro mandatos na prefeitura permite que ele se apresente sozinho.
O cientista político Theófilo Rodrigues afirma que apoios de personalidades com reputação ruim podem abalar candidaturas e influenciar a rejeição, especialmente em um eventual segundo turno. De acordo com pesquisas, a associação de Ruas a Bacellar e Castro causaria mais impacto negativo do que a ligação de Paes com Lula.


