Partidos de esquerda e direita em São Paulo disputam a transferência de votos de candidatos que foram recordistas na eleição para deputado federal em 2022, mas não concorrem em 2026. Dos cinco nomes mais votados no estado na última eleição, quatro estão fora da disputa atual, o que deve dispersar o eleitorado entre diversos candidatos.
Na esquerda, Guilherme Boulos (PSOL), que obteve mais de 1 milhão de votos em 2022 e hoje é ministro da Secretaria-Geral da Presidência, não concorre neste ano. O PT projeta recuperar parte desses votos por meio de deputados com redutos na periferia da capital, como Alfredinho, Jilmar Tatto e Nilto Tatto, além do ex-ministro José Dirceu e da vereadora Luna Zarattini. No PSOL, a deputada Erika Hilton é vista como o nome de maior peso, atraindo jovens e defensores do fim da escala 6×1. Natália Szermeta Boulos também concorre tentando herdar a votação do marido.
Na direita, a ausência de Eduardo Bolsonaro (PL), Carla Zambelli (PL) e Ricardo Salles (Novo) amplia a disputa por votos. Eduardo e Zambelli estão inelegíveis, enquanto Salles tenta vaga no Senado. O PL aposta em Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e no vereador Lucas Pavanato, que teve desempenho expressivo na eleição municipal de 2024. Rosana Valle e Adilson Barroso também são considerados nomes fortes para a reeleição na legenda.
A mudança no cenário influenciou a distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Partidos priorizaram recursos para candidatos com mandato ou maior reconhecimento, prevendo que a votação não se concentrará em poucos nomes como ocorreu no pleito anterior.
No centrão, o PP aposta no vereador Sargento Nantes e no deputado Maurício Neves. O União Brasil busca alavancar nomes bem colocados na eleição para vereador, como a Pastora Sandra Alves. Já o Podemos conta com o Delegado Bruno Lima, quinto mais votado do estado na eleição passada, e Ana Carolina Oliveira.


