O jornalista Paulo Motoryn questionou, nesta quarta-feira (2), a ausência de desdobramentos públicos e de operações policiais no caso Dark Horse após 110 dias. Segundo Motoryn, a única ação conhecida da Polícia Federal (PF) até o momento foi a solicitação de notas fiscais ao perito responsável pela análise das contas via e-mail.
A apuração teve início após o jornalista receber materiais sobre as relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e membros da família Bolsonaro. O trabalho resultou na divulgação de áudios de Flávio Bolsonaro enviados a Vorcaro e na identificação de valores destinados ao financiamento do filme Dark Horse.
O contrato previa o pagamento de US$ 23 milhões, dos quais US$ 13 milhões teriam sido quitados. Motoryn classificou a cifra como estapafúrdia para a produção de um filme e questionou se a verba foi integralmente usada na obra ou se parte do dinheiro financiou ações políticas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O jornalista afirmou que há uma assimetria na condução de processos no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro André Mendonça é relator tanto do caso Dark Horse quanto de investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, mas apenas as informações sobre este último têm sido divulgadas com frequência.
Motoryn criticou a tentativa de equiparar os dois casos, argumentando que, enquanto no processo de Fábio Luís não houve contrato ou propina, no caso Dark Horse existe um contrato de US$ 23 milhões. O jornalista comparou a condução do Judiciário e a cobertura da imprensa ao mecanismo observado durante a Operação Lava Jato.


