O jornalista Paulo Motoryn afirmou, em entrevista nesta quarta-feira (2), que a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no caso Master constitui uma frente de interferência no processo eleitoral de 2026, somando-se às tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.
Motoryn apontou que a presença de delegados ligados ao bolsonarismo no gabinete do ministro, além de vazamentos seletivos de informações, contaminam o debate político. A análise ocorre após Mendonça determinar que a Polícia Federal (PF) aprofundasse informações sobre o ministro Alexandre de Moraes antes de o plenário do STF decidir sobre a abertura de investigação.
O jornalista criticou a condução do processo, afirmando que o papel do juiz não é realizar a investigação, tarefa que cabe à PF. Segundo ele, o magistrado deve atuar apenas quando o inquérito está concluído e a denúncia é oferecida pelo Ministério Público, classificando como problemático o fato de o juiz conduzir a apuração.
A composição do entorno de Mendonça também foi questionada. Motoryn disse que delegados que trabalharam com o ministro no Ministério da Justiça e que são identificados com o bolsonarismo e egressos da Operação Lava Jato passaram a atuar em seu gabinete.
O cenário foi descrito como parte de uma guerra híbrida, em que instituições e a imprensa podem influenciar o ambiente eleitoral por meio de divulgações seletivas. O jornalista comparou a atual postura dos Estados Unidos com a interferência norte-americana que antecedeu o golpe de 1964, definindo a situação como uma operação em tempo real.


