O Ibovespa aguarda a divulgação do payroll dos Estados Unidos, nesta sexta-feira (4), para definir se terá força para superar a resistência de 188,9 mil pontos ou se iniciará um movimento de realização de lucros. O relatório oficial de emprego será publicado às 9h30, no horário de Brasília.
A expectativa do mercado é a criação de 55 mil vagas fora do setor agrícola, após a queda registrada em julho. A projeção para a taxa de desemprego americana é de 4,1%. Investidores monitoram a combinação entre criação de postos, desemprego e salários para calibrar as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
A taxa básica de juros nos EUA está atualmente entre 3,50% e 3,75%. O diretor do Fed, Christopher Waller, afirmou na quinta-feira (3) que estaria disposto a manter os juros inalterados caso a inflação avance para a meta de 2%, mas consideraria a alta se as pressões inflacionárias ganharem força.
Para Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, um payroll mais fraco com salários moderados favorece a Bolsa brasileira ao abrir espaço para juros americanos menores e dólar enfraquecido. O cenário ideal seria uma economia esfriando de maneira controlada, sem sinais de recessão brusca.
Em sentido oposto, números muito acima do esperado podem elevar as apostas em nova alta de juros pelo Fed. Segundo Alison Correia, sócio da Dom Investimentos, esse cenário poderia ser a deixa para uma correção do Ibovespa, que vem de forte valorização recente.
Na quinta-feira (3), o índice bateu 188.891 pontos na máxima, patamar não visto desde maio, mas fechou praticamente estável, aos 185.188 pontos, interrompendo uma sequência de 11 altas. Operadores reduziram posições antes da divulgação do relatório para aguardar o resultado.
Um indicador prévio, o relatório da ADP, mostrou a criação de 38 mil vagas no setor privado em agosto, abaixo das 48 mil esperadas. Rafael Perretti, economista da Clear Corretora, informou que a relação entre o ADP e o payroll perdeu força nos últimos anos e o dado oficial é que definirá a reação dos títulos do Tesouro americano.


