Uma pesquisa da Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) indica que 67% dos entrevistados acreditam que os preços dos alimentos subiram no último mês. O resultado revela um descompasso entre a percepção do eleitor e os índices oficiais de inflação, tornando-se um desafio para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apenas 9% dos participantes da pesquisa perceberam queda nos preços, enquanto 22% afirmaram que os valores ficaram iguais. A avaliação geral da economia também segue negativa: 49% dos entrevistados consideram que a situação piorou nos últimos 12 meses, enquanto 19% enxergam melhora e 29% não notaram mudanças.
Os dados contrastam com indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em julho, o IPCA subiu 0,07% e o grupo de alimentação e bebidas caiu 0,67%. Na prévia de agosto, o IPCA-15 registrou deflação de 0,40%, com recuo de 0,57% nos alimentos e de 0,97% nos itens consumidos dentro de casa.
A diferença ocorre porque a queda mensal indica que produtos ficaram mais baratos em relação ao mês anterior, mas não que retornaram aos preços anteriores ao período de inflação acumulada. Na prévia de agosto, houve quedas no tomate (27,38%), na batata-inglesa (25,14%) e na cenoura (17,05%), embora o leite longa vida tenha subido 3,41%.
O cenário reflete na avaliação do governo, que registra 48% de desaprovação contra 45% de aprovação. A gestão é vista como negativa por 37% e positiva por 35%. Nas intenções de voto para a presidência, Lula aparece com 37% contra 30% de Flávio Bolsonaro (PL). No segundo turno, a vantagem desaparece, com 42% para Lula e 41% para Flávio, empate dentro da margem de erro.
A Quaest entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07065/2026.


