O volume aplicado por investidores pessoas físicas no Brasil chegou a R$ 9,14 trilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 6,4% no ano. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), divulgados nesta quinta-feira (3), a renda fixa foi o principal motor da expansão, respondendo por 65% do crescimento absoluto.
A migração para ativos seguros ficou evidente no salto de 32,9% no volume alocado em títulos públicos, que somou R$ 349,8 bilhões. O movimento foi expressivo entre os investidores mais ricos: no segmento Private, esses papéis subiram 56,9%, atingindo R$ 87 bilhões. O Varejo Alta Renda detém o maior estoque geral do governo, com R$ 157,1 bilhões, seguido pelo Varejo Tradicional, com R$ 105,7 bilhões.
Outros produtos conservadores e isentos de Imposto de Renda também cresceram. Os CDBs avançaram 8,5%, totalizando R$ 1,44 trilhão, e as LCIs subiram 13,7%, chegando a R$ 515,8 bilhões. Regionalmente, o Sudeste adicionou mais de R$ 320 bilhões aos estoques, enquanto o Centro-Oeste registrou o maior avanço percentual, de 9,5%.
A Anbima informou que o número de contas no segmento Private subiu 22%, superando 203 mil. No entanto, o tíquete médio desse grupo caiu 13,8%, recuando de R$ 15,8 milhões no fim de 2025 para R$ 13,6 milhões em junho de 2026. Houve recuos marginais nos tíquetes do Varejo Tradicional (R$ 14.696) e do Varejo Alta Renda (R$ 136.855,5).
Na indústria de fundos, a renda fixa segue liderando com R$ 1,13 trilhão, alta de 11,6% no semestre. Os ETFs cresceram 38,8% e os FIPs subiram 28,8%. Já os fundos de ações foram os únicos com queda, recuando 0,1%, resultado impactado pela baixa de 4,7% no segmento Private.
Luciane Effting, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima, afirmou que o desempenho do mercado depende da previsibilidade das políticas econômicas, independentemente do cenário eleitoral. Para a executiva, o mercado reage melhor quando há clareza sobre responsabilidade fiscal, estabilidade institucional e continuidade de reformas.


